O que é ser presbiteriano?

Todo presbiteriano deve saber que vale a pena ser presbiteriano. Ou seja, que não há inferioridade alguma no fato de ser presbiteriano face às outras denominações evangélicas. Ser presbiteriano é bênção de Deus, tão grande quanto ser metodista, batista, ou pentecostal. Os primeiros evangélicos que chegaram ao Brasil eram calvinistas. Foram eles os primeiros mártires protestantes em solo brasileiro. Os presbiterianos são representantes desse calvinismo e empunham uma bandeira de fé e coragem! Vale a pena ser presbiteriano, bem como vale a pena ser presbiteriano independente!

A IPIB foi a primeira denominação evangélica no Brasil que assumiu o desafio de evangelizar nosso país valendo-se de seus próprios recursos humanos e financeiros. A IPIB tem sido protagonista de uma história de fé e coragem! Por isso, é preciso que os presbiterianos se conheçam melhor.

O que devem saber os presbiterianos a seu respeito, que os ajude a ser mais conforme à identidade que têm recebido de Deus?

Todo presbiteriano deveria saber que:

  • Ser presbiteriano é crer de todo coração e entendimento no Deus da Bíblia.
  • Ser presbiteriano é assumir as doutrinas calvinistas originárias da Reforma do século XVI.
  • Ser presbiteriano é aceitar e acatar o regime de governo eclesiástico estabelecido pela Reforma escocesa liderada por John Knox no século XVI.
  • Ser presbiteriano é submeter-se a Cristo de uma maneira radical, na vida, na fé e na missão de testemunho do Evangelho e transformação das realidades do mundo.
  • Ser presbiteriano é interpretar as Escrituras e as realidades que nos cercam de maneira inteligente e lúcida, sempre em submissão ao Espírito Santo.
  • Ser presbiteriano é dar sempre graças a Deus pela obra missionária que nos trouxe a Fé Reformada, inspirando-nos a prosseguir nos mesmos ideais de disseminação da Palavra de Deus no mundo.
  • Ser presbiteriano é conhecer bem a própria história e saber motivar-se com ela.
  • Ser presbiteriano é ter um profundo engajamento com a Igreja, o Corpo de Cristo, amando-a como Cristo a amou e continua a amar.
  • Ser presbiteriano é abrir-se para o novo e também valorizar o passado.
  • Ser presbiteriano é viver alegremente face à graça de Deus.
  • Ser presbiteriano é viver solidariamente face à dor dos pobres e injustiçados.
  • Ser presbiteriano é viver responsavelmente face ao comissionamento de Deus.

E todo presbiteriano independente deveria saber que:

  • Ser presbiteriano independente é ter um profundo compromisso espiritual com o Brasil, valorizando nossas coisas e nossa cultura, comprometendo-se com o sofrimento de nossa gente.
  • Ser presbiteriano independente é sentir-se responsável pelo sustento e manutenção da Igreja e seus ministérios, tanto no âmbito local quanto no denominacional.
  • Ser presbiteriano independente é colocar a lealdade à Cristo acima de todas as lealdades.
  • Ser presbiteriano independente é valorizar a educação familiar, escolar e eclesiástica.
  • Ser presbiteriano independente é participar ativamente da evangelização do Brasil, sem esquecer da importância da evangelização em todas as outras partes do mundo.
  • Ser presbiteriano independente é olhar com orgulho o passado.
  • Ser presbiteriano independente é olhar com seriedade o presente.
  • Ser presbiteriano independente é olhar com esperança o futuro.
  • Ser presbiteriano independente é ser equilibrado na fé e na doutrina.
  • Ser presbiteriano independente é ser cristão convicto e calvinista esclarecido.
  • Ser presbiteriano independente é abrir-se à família da fé (muitos usam a palavra “ecumênico” para expressar essa ideia) e, ao mesmo tempo, valorizar a sua confessionalidade específica.
  • Ser presbiteriano independente é valorizar o leigo, a mulher, o jovem, a criança.
  • Ser presbiteriano independente é “arvorar o estandarte às gentes”.
  • Ser presbiteriano independente é ter coragem, é ousar, é jamais esmorecer, é lutar cada vez mais: “Pela coroa real do Salvador”!

Fonte: IPIB Cruzeiro

Barganha ou reciprocidade?

Por Pedro Araújo

É impressionante como muitas coisas que ouvimos repetidamente nunca disseram, necessariamente, aquilo que as pessoas tanto querem que digam! Isso ocorre com muitas passagens e versículos bíblicos que já viraram mais que chavão no meio evangélico, e basta simplesmente observarmos com mais calma, atenção e honestidade essas passagens e versículos que o real sentido do que dizem salta à vista. Vejamos o versículo abaixo:

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“Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando vos deitarão no regaço; porque com a mesma medida com que medis, vos medirão a vós.” (Lucas 6:38)

Este texto é geralmente sempre citado na hora de incentivar as pessoas a dizimar e ofertar na igreja, mas basta levarmos em conta o contexto imediato pra vermos que estas palavras de Jesus não falam, necessariamente, de dízimos e ofertas (e pra encontrarmos alguma relação temos que ampliar muito, mas muito mesmo, o contexto).

Ora, este versículo faz parte do chamado “sermão do monte”, registrado no capítulo 6 do evangelho de Lucas a partir do versículo 17 (e também nos capítulos de 5 a 7 de Mateus), e na “seção” do sermão onde ele aparece Jesus está falando basicamente de como devemos tratar uns aos outros, o que pode facilmente ser percebido simplesmente observando o parágrafo em que o mesmo se encontra (Lucas 6:27-38), e mais ainda lendo por completo as passagens relacionadas.

Neste trecho o Mestre está basicamente destacando que devemos retribuir o mal com o bem, e não fazer o bem simplesmente com a intenção de receber algo em troca. E mesmo que te retribuam o bem com o mal, é de Deus que vem nossa real recompensa. Quando fazemos o bem entendendo que ele não é moeda de troca estamos revelando a característica de um verdadeiro filho de Deus (Lucas 6:35).

Mas é claro que Deus é justo e misericordioso, e – mesmo sabendo que receber algo em troca não deve ser a nossa motivação – quando o bem é algo que brota do nosso coração pessoas são tocadas, e nós colheremos os frutos disso, não pra nossa própria glória, mas porque o bem gera bem!

Por isso, apesar de ouvirmos tanto, não é realmente de dízimos e ofertas que o versículo 38 – que destacamos no início – está falando. Ele simplesmente reforça o princípio de reciprocidade, no qual aquilo que se planta se colhe, e em abundância, uns para com os outros.

É claro que este princípio pode ser aplicado à questão financeira, porém é lamentável como verdades bíblicas como esta são usadas isolada e limitadamente, e na maioria das vezes com focos individualistas. Sejamos sinceros, quem oferta ou dizima pensando na prosperidade do vizinho? Como raras exceções (se é que existe algo do tipo), as ofertas e os dízimos são tidos como algo “particular” entre a pessoa e Deus, é uma coisa que quase que invariavelmente é feita pensando em si mesmo, no benefício “próprio”. Não estou dizendo que contribuir financeiramente é errado, nem que todos agem assim tão equivocadamente, mas a forma que vemos a questão e que ela é normalmente pregada é que na maioria das vezes está distorcida, dando até a ideia de barganha em alguns casos.

O foco do contribuir não deve estar na bênção ou na  ”proteção na área financeira” que você vai receber fazendo isso, mas deve estar essencialmente no entendimento de que isso beneficiará o coletivo, seja em obras sociais, seja, principalmente, na evangelização e em coisas que promoverão a edificação da Igreja. Contribuímos porque fazemos parte da obra, porque recebemos responsabilidade, como servos, na expansão do Reino. Contribuímos não pra nós, mas por causa dos outros, por causa do Reino, e se recebermos, assim, algo em troca, é pela graça de Deus, para que nos apresentemos ainda mais como servos dispostos. Não que Deus precise disso pra fazer algo, mas porque Deus coloca em Seus servos o entendimento da essência das coisas, e por isso dispomos.

Um outro texto que se relaciona diretamente como este é o de II Coríntios 9:6-8. Este texto também é muito usado na ora do “ofertório”, e de fato – e aqui sim, explicitamente – vemos que a passagem em que ele se encontra, que compreende os capítulos 8 e 9 da epístola, fala de ofertas, de “dinheiro”. Mas, de novo, qual é o foco? O foco é o outro, o próximo. Paulo está estimulando os cristãos de Corinto a contribuírem com a coleta em favor dos cristãos que estavam passando dificuldades na Judeia. A mensagem aqui, bem como no texto de Mateus, nunca foi voltada para algo “particular”, nunca falou, por exemplo, das “recompensas do dizimista e ofertante fiel”.

E vejamos como Paulo vai fundo na essência quando diz “cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, nem por constrangimento; porque Deus ama ao que dá com alegria” (II Coríntios 9:7). A atitude que flui do coração é que é ressaltada, algo que é feito não por causa da necessidade – seja ela a nossa necessidade de sermos abençoados ou protegidos contra o devorador, ou mesmo por “pena” dos necessitados – mas com a alegria de servir daquele que foi chamado por Deus para ser uma bênção aos outros, um instrumento do Reino.

Sim, vemos também aqui que Deus recompensa, como Jesus também disse em Mateus. É óbvio que Deus recompensa, mesmo sem ser ter “obrigação” nenhuma (pois somos nós é que não fazemos mais que nossa obrigação em contribuirmos com a obra e para o bem dos outros, muito mais do que com coisas materiais, mas também com as nossas próprias vidas). Mas esta “recompensa” não é pra que fiquemos simplesmente “numa boa”, muito menos para que louvemos a nós mesmos pela nossa “fidelidade”, “generosidade” e consequente “prosperidade”, mas para que, sendo abençoados, abençoemos mais ainda (II Coríntios 9:8).

O foco destas passagens não é apresentar uma “regra de prosperidade”, mas um princípio de amor, de preocupação uns para com os outros (pessoas) e para com a obra de Deus (que visa pessoas), de reciprocidade. E o objetivo neste artigo não é julgar ninguém, mas incentivar para que possamos ir além, e até mesmo fugir, dos jargões e dos “amuletos gospel”, para que enxerguemos em cada leitura que fizermos na Bíblia a verdadeira essência do cristianismo.

Leia também:

Estudo sobre “predestinação” (com respostas a algumas objeções)

Nota do editor. Um tema tão importante não deve ser tratado com frases feitas, sofismas, pré-conceitos, dissimulações e, principalmente [pra quem é cristão e se diz comprometido com a obra do Evangelho], tentando negar a própria Bíblia; nem deve ser colocado como algo periférico, pois – na realidade – está no cerne do Evangelho, devendo ser abordado, conforme for conveniente, com sabedoria, humildade e, essencialmente, reverência ao Autor da vida. O estudo abaixo, postado originalmente no Blog do Solano Portela (e de autoria do mesmo, que é membro da Igreja Presbiteriana do Brasil), é simples, breve e muito pertinente, e essencialmente bíblico. Tenho escrito e reproduzido vários artigos sobre o tema aqui no blog, e também indico bons livros que podem auxiliá-lo na compreensão adequada do tema à luz da Palavra, como por exemplo “Calvinismo e arminianismo evangélico”, de John Girardeau, publicado em português em 2011 pela Livraria Primícias.

Introdução 

Dentre as doutrinas contidas na Bíblia, a “predestinação” é uma das mais difíceis de serem abordadas. Creio que poderíamos identificar três razões para essa dificuldade:

IRejeição em função de nossa natureza pecaminosa. Nossa natureza, influenciada pelo pecado, traz uma tendência de rejeição da exaltação do Deus Soberano, ao mesmo tempo em que passa a considerar o homem superior àquilo que ele realmente é. Nesse sentido, tendemos nos apresentar numa posição de autonomia e superioridade, contrariando o que a Palavra de Deus nos revela sobre o nosso ser. As pessoas fazem um grande esforço para se desvincularem da esfera de autoridade divina, e para tirarem Deus da regência de suas vidas e do seu destino.

IIDistorção, por insuficiência de base bíblica. Às vezes, a doutrina é apresentada, ou absorvida com um exame superficial da base bíblica. Se todos os ângulos não forem estudados, ou se recorrermos mais ao “eu acho” ou “eu penso” do que a uma aceitação sem pré-conceitos do que a Bíblia revela sobre as ações e planos do Deus soberano, saímos com uma ideia distorcida dessa doutrina.

IIIDiluição, para facilidade de compreensão. Muitas vezes, temos a ideia de que a veracidade ou não de uma doutrina está baseada na nossa capacidade de compreensão total da mesma, esquecendo-nos de que nossa compreensão é finita, imperfeita e limitada. A diluição, ao nível de nossa capacidade, traz uma série de problemas secundários que tornam a doutrina, no cômputo final, diferente da apresentação bíblica e de impossível aceitação, mediante um estudo sério da questão.

Quando estudarmos a “predestinação” teremos, portanto, de estar cientes das dificuldades do estudo, mas, se tivermos seriedade e humildade para aprender o que Deus nos revela em Sua Palavra, devemos ter a disposição de considerar:

1. Os dados bíblicos: examinarmos o maior número possível de passagens.

2. A necessidade de não rejeitar os conceitos bíblicos simplesmente porque estes podem fugir à nossa compreensão, ou experiência, mas deixá-los permanecer em toda a sua objetividade e lógica transcendental, gradativamente, pela ação do Espírito, penetrando em nossas convicções.

3. O testemunho histórico da Igreja: ele não determina doutrina, mas o seu estudo é relevante para vermos como Deus tem guiado a Sua Igreja, e para discernirmos a diferença entre inovações (ventos de doutrina) e as doutrinas verdadeiras provadas no cadinho do tempo e da história eclesiástica.

4. O fato de que, quanto mais aprendermos e exaltarmos a Pessoa de Deus, mais cresceremos espiritualmente e mais chegaremos perto de nossa finalidade, que é a de glorificarmos a Ele, em todas as nossas ações. Continue lendo »

[Mensagem de Páscoa] Jesus sofreu e morreu para absorver a ira de Deus

Por John Piper

“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se Ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: maldito todo aquele que for pendurado no madeiro).” (Gálatas 3:13)

“Deus propôs [a Cristo], no Seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a Sua justiça, por ter Deus, na Sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos.” (Romanos 3:25)

“Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou e enviou o Seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.” (I João 4:10)

Se Deus não fosse justo, não haveria exigência para o sofrimento e a morte de Seu Filho. E se Deus não fosse amoroso, não haveria disposição do Filho de sofrer e morrer. Mas Deus é justo e amoroso. Assim, Seu amor se dispõe a cumprir as exigências de Sua justiça.

A lei de Deus exige: “amarás… o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força” (Deuteronômio 6:5). Porém, todos temos amado mais a outras coisas. O pecado é isso: desonrar a Deus pela preferência de outras coisas, e agir com base nessas preferências. Assim, diz a Bíblia que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3:23). Nós glorificamos aquilo em que mais temos prazer. E não é Deus.

Sendo assim, o pecado não é algo pequeno, porque não é uma falta contra um pequeno suserano. A seriedade do insulto aumenta com a dignidade d’Aquele que é insultado. O Criador do universo é infinitamente digno de respeito, admiração e lealdade. Sendo assim, deixar de amá-Lo não é trivial – é uma traição. Difama a Deus e destrói a felicidade humana.

Como Deus é justo, Ele não varre esses crimes para debaixo do tapete do universo. Ele tem ira santa contra eles. Merecem a punição e isso fica muito claro “porque o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23). “A alma que pecar, essa morrerá” (Ezequiel 18:4).

Existe uma santa maldição pairando sobre todo o pecado. Não punir seria injustiça. Seria endossar o desmerecimento de Deus. Uma mentira estaria reinando sobre o cerne da realidade. Assim, Deus disse: “maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no livro da lei, para praticá-las” (Gálatas 3:10; Deuteronômio 27:26).

Mas o amor de Deus não descansa com a maldição que paira sobre toda a humanidade pecaminosa. Ele não se contenta em demonstrar a ira, por mais santa que seja. Assim, Deus envia seu próprio Filho para absorver a Sua ira e carregar a maldição no lugar de todos quantos n’Ele confiam. “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se Ele próprio maldição em nosso lugar” (Gálatas 3:13).

É esse o significado da palavra “propiciação” no texto acima citado (Romanos 3:25). Refere-se à remoção da ira de Deus por prover um Substituto. O próprio Deus oferece o Substituto. Jesus Cristo não apenas cancela a ira; Ele absorve-a e desvia-a de nós para Si mesmo. A ira de Deus é justa, e foi executada, não retirada.

Não podemos brincar com Deus ou deixar por menos o Seu amor. Jamais estaremos diante de Deus maravilhados por sermos por Ele amados até que reconheçamos a seriedade de nosso pecado e a justiça de Sua ira contra nós. Mas quando, pela Graça, acordamos para nossa própria indignidade, podemos olhar o sofrimento e a morte de Cristo e dizer: “nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou e enviou o Seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (I João 4:10).

Fonte: A Paixão de Cristo (Editora Cultura Cristã)
Extraído de: Monergismo.com

O desequilíbrio acerca do dízimo e o direito de amaldiçoar

Por Pedro Araújo

Sim, o Novo Testamento implicou a suplantação da lei do dízimo. Dizer que a vigência atual da lei do dízimo, como era no Antigo Testamento, não encontra apoio no Novo Testamento é certo. Mas isso não significa um argumento pra que, desonestamente, passemos a não contribuir com nada, porém a maneira com que geralmente se trata a questão, no sentido de manter o dízimo como “sacramento”, não é bíblica, principalmente quando do uso, fora de contexto, do versículo áureo (Malaquias 3:10).

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“Roubará o homem a Deus? Todavia vós Me roubais, e dizeis: em que Te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição sois amaldiçoados, porque a Mim Me roubais, sim, toda esta nação. Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na Minha casa, e depois fazei prova de Mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se Eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes. E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos.” (Malaquias 3:8-11)

O texto revela que o povo ia cultuar a Deus, mas o culto não era agradável por causa da omissão deles nos dízimos e nas ofertas. Mas esse não era o único problema, pois a questão do dízimo era apenas um dentre tantos pontos nos quais o povo estava desagradando a Deus. Como Malaquias 3:7 (versículo anterior ao trecho destacado acima) mostra, Deus está censurando o povo por causa de sua desobediência constante, geração após geração, uma desobediência generalizada. Em toda a história de Israel, o povo se desviava de Deus, então Deus os castigava, eles se arrependiam, voltavam-se para Deus, mas logo se afastavam de novo. O que Malaquias condena é mais um destes “ciclos” de apostasia, que envolviam todos os aspectos da vida do povo. Somos levados a lembrar de Malaquias somente como o “livro do dízimo”, mas o tema do livro é mais amplo, e revela a necessidade de grandes reformas na nação de Israel, denuncia os pecados de um povo sem honra, ingrato e infiel ao seu chamado, levados principalmente pelo mau exemplo dos sacerdotes, que se tornaram pedras de tropeço ao invés de bons líderes pro povo (Malaquias 2:1-8). Era um povo que bajulava pecadores, eram desonestos em seus negócios e na vida em sociedade, se contaminavam com outros povos, eram desleais às suas esposas, praticavam feitiçarias, eram impuros e oprimiam uns aos outros. Mas Deus promete a vinda do Reformador.

Apesar de toda essa desobediência, Deus sempre esteve com o povo, e por isso, diante da reclamação deles de que Deus não estava aceitando o culto deles, que não respondia suas orações, que não os abençoava, Deus mostra-lhes que a razão é que eles sempre se desviavam dos caminhos d’Ele. Então Deus diz: “voltem pra Mim, que eu Me volto pra vocês” (Malaquias 3:7). Por isso é preciso entender os termos da aliança sob a qual o povo estava na época para que possamos entender o que Malaquias 3:10 está dizendo. Quando Deus tirou o povo do Egito, a aliança que Deus estabeleceu no Sinai trazia algo que poderia ser resumido como “obediência traz a bênção e a desobediência traz o castigo”. Deus sempre ofereceu graciosamente ao povo a oportunidade do arrependimento e da mudança, mas em Malaquias o povo responde cinicamente a Deus: “o que nós estamos fazendo de errado?” – era um povo insensível, mas todos os sábados estavam lá religiosamente pra “cultuar” a Deus. Continue lendo »

Livre-arbítrio: afinal, temos ou não temos?

Por Rev. Waldemar Alves da Silva Filho

Introdução

Neste estudo, iremos procurar entender a questão que envolve o termo “livre-arbítrio”.

Trata-se de um tema que trouxe grande discussão durante alguns períodos da história. O entendimento diferente acerca deste tema, ou seja, a defesa da existência de um “livre-arbítrio”, ou a sua negação, tem divido pessoas até hoje.

Mas, afinal temos ou não temos livre-arbítrio? É isto mesmo que iremos verificar, não só analisando as posições teológicas acerca do assunto, mas, buscando luz da Bíblia para clarear nosso entendimento.

Antes de mais nada precisamos definir o que seja esse tal “livre-arbítrio”.

Livre-arbítrio

“Livre-arbítrio” tem sido definido como a capacidade dada ao homem, por ocasião de sua criação, para escolher entre o bem e o mal, entre agradar a Deus ou desobedecê-Lo. Seria o “livre poder de eleger o bem ou o mal”.

Héber Carlos de Campos também define como tendo sido a capacidade que o homem teve “de escolher as coisas que combinavam com a sua natureza santa, mas que, mutavelmente, pudesse escolher aquilo que era contrário à sua natureza santa”.

Vejam que tais definições estão de acordo com o que prescreve a nossa a Confissão de Fé de Westminster (a doutrina adotada desde 1647 pelas mais importantes igrejas protestantes reformadas):

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O homem, em seu estado de inocência, tinha a liberdade e o poder de querer e fazer aquilo que é bom e agradável a Deus, mas mutavelmente, de sorte que pudesse decair dessa liberdade e poder.

Ec. 7:29; Col. 3: 10; Gen. 1:26, 2:16-17 e 3:6. 

É importante dizermos que quanto a definição, não existe dificuldade. O problema todo que envolve o tema é se o homem hoje, depois da queda, possui ou não esse tal de livre-arbítrio.

Antes mesmo de entrar propriamente na discussão, se o homem ainda dispõe dessa capacidade, precisamos dizer algo acerca de uma faculdade natural e inalterada no homem, mesmo depois da queda, chamada de “livre agência” ou “capacidade de escolha”. Continue lendo »

Acervo de citações #14

“Uma fé que pode ser destruída deve ser destruída mesmo, pois não é
autêntica e nem sólida. Quanto mais cedo ela for destruída e substituída
por uma fé robusta, enraizada na Palavra de Deus, melhor.”

(Augustus Nicodemus)

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