Jesus não era cristão (e também não era judeu)

Recentemente li um excelente texto do Augustus Nicodemus Lopes intitulado “Jesus não era cristão”, e antes de você continuar a ler este meu texto seria interessante que você lesse o texto dele pra entender bem (o que você pode fazer clicando aqui). Basicamente, o Augustus argumenta que o cristão é um pecador que foi perdoado, justificado, nasceu de novo (enquanto Jesus nunca pecou, então nunca precisou confessar pecados, pedir perdão, tampouco nascer de novo); o cristão precisa de um mediador entre ele e Deus, mas Jesus não, simplesmente porque Ele é Deus e é Ele quem se fez nosso mediador para com o Deus Pai; o cristão deve empanhar sua vida “prática” em ser um imitador de Cristo (Jesus não precisava imitar ninguém, Ele é o exemplo inquestionável). Enfim, não se trata somente de um jogo de palavras, pois se fomos nos aprofundar nas verdades que a afirmação que o título do artigo traz talvez precisaríamos de um livro inteiro.

Só que mais recentemente li algo que parecia indicar para uma outra afirmação que a princípio pode até parecer se contrapor a esta, porém é algo talvez ainda mais equivocado: “Jesus era judeu”. Sim, é claro que sob todos os aspectos Jesus era um judeu autêntico (aliás, não havia judeu mais verdadeiro que Ele), mas no contexto que vi esta nova afirmação ser usada é algo muito tendencioso. E não, não foi um judeu que insinuou isso, foi um cristão. Tal afirmação foi, resumidamente, dada como resposta ao argumento de que “Jesus odeia religião”, apresentado no polêmico e desafiador vídeo de Jefferson Bethke (veja aqui). Bem, o vídeo não diz isto com estas palavras, sei que o Jefferson pega pesado (mas eu particularmente, analisando todo um “contexto global”, concordo com ele), porém foi o que o autor da nova afirmação entendeu, só que ele se equivoca muito mais ao concluir que, em suma e como eu pelo menos entendi, Jesus não odiava religião simplesmente porque Ele mesmo era judeu.

No meu ver, em nenhum momento o vídeo do Jefferson ataca a crença das pessoas, não é contra a Igreja, mas é sim uma crítica muito válida em relação a como a maioria de nos hoje – e digo principalmente nós que podemos ser considerados cristãos e “religiosos” – vê e vive religião, o que de fato, em grande parte dos casos [e infelizmente], é bem diferente da forma que Jesus via e vivia. O vídeo, embora eu possa até concordar que seja ultrarradical, apresenta mais algo como uma “cosmovisão”, mas a réplica ao vídeo (que você pode ler aqui), embora eu também concorde que seja muito válida, parece se limitar em defender mais um sistema religioso do que realmente fazer considerações em relação à “cosmovisão” do vídeo.

Bem, eu não quero aqui me ater a este debate (apresentei os dois lados, até deixei minha opinião de leve, mas cabe a cada um analisar), só que relacionando o artigo do Augustus Nucodemus com o vídeo e a réplica a ele me ocorreu uma outra consideração: “Jesus não era cristão (e também não era judeu)”. Uma vez que fique bem claro que minha consideração não é direcionada aos judeus, então você que é cristão como eu deve estar se perguntando o que isso tem a ver conosco – tem tudo. Lembre-se, não estou falando de etnia, de conduta, de costumes, mas sim de religião e seus aspectos mais cruciais.

Analogamente ao texto do Augustos, em relação a dizer que a religião de Jesus era o judaísmo podemos considerar três aspectos básicos que desmentem qualquer tentativa de afirmar isso (existem muitos outros também, mas esses três são mais básicos e simples de entender). Ora, os judeus precisavam constantemente oferecer sacrifícios de animais para obterem o perdão de seus pecados (Jesus, mesmo admitindo que Ele foi um exemplo de judeu genuíno, jamais precisou oferecer qualquer sacrifício de animais, a Bíblia não narra nada parecido – nem tente arriscar a passagem de Lucas 2:41-52 [quando o garoto Jesus então com 12 anos acompanha seus pais terrenos até Jerusalém pra celebração da Páscoa] pra falar bobagem, conjecturar tal coisa – além de ser heresia das bravas – não tem lógica alguma, pois Jesus não precisava sacrificar animais pra obter perdão de pecado algum por Si mesmo, e pelos pecados dos outros – a saber, nós – Ele a Si mesmo se entregou como o único, suficiente e perfeito sacrifício); os judeus criam nas profecias e esperavam pelo Messias que elas anunciavam que viria (Jesus veio ao mundo para cumprir as profecias, Ele era o Messias que os judeus tanto esperavam); e os judeus estavam debaixo da aliança da Lei, enquanto Jesus era o cumprimento da Lei e dos profetas e a consumação da nova e eterna aliança da Graça que nos alcançou pelo Seu sangue derramado na cruz. Sei que tais argumentos são até rasos, mas servem bem pra exemplificar.

Onde, afinal, quero chegar com isso? Bem, se afirmar que Jesus foi contra a religião é algo errado, dizer que ele era um religioso, e usar certos tipos de argumentos neste sentido pra encontrar em Cristo justificativa pra defender doutrinas humanas, é mais ainda. E muitas vezes é justamente isso o que tantos cristãos, suas denominações e ministérios insinuam pra defender sua filosofia e suas práticas. Fato inegável é que muitas igrejas evangélicas mais parecem um judaísmo “fake”, em que Jesus é um mero coadjuvante, e o Evangelho é apenas uma alegoria, enquanto a má interpretação dos escritos velho-testamentários é o compêndio doutrinário mor de seu sistema religioso. Firmados em conclusões estranhas sobre a Lei, conclusões estas que seriam piada [ou até ofensa] pra um judeu, estabelecem um conjunto de regras, usos e costumes que muitas vezes ingenuamente fomentam uma falsa santidade e podem chegar até ao extremo de invalidar a Graça. E mesmo quando o Antigo Testamento não é usado pra estabelecer um mecanismo opressor, como o visto em muitas denominações pentecostais, seu mal uso ainda tem primazia quando o objetivo é embasar atos “proféticos”, “unções”, moveres “sobrenaturais”, “visões” mirabolantes e todo tipo de tentativa de espiritualizar e mistificar, como ocorre em muitas denominações neopentecostais, aquilo que o Evangelho já elucidou e tornou simples e prático.

Se somos cristãos, então porque a maioria das nossas pregações [de auto-ajuda, auto-justificação, auto-santificação] são baseadas no Antigo Testamento? Não estou dizendo aqui que só o Novo Testamento deve ser usado. É justamente o contrário. A epístola aos Hebreus deixa bem claro o que precisamos entender sobre isso, pois se a Lei e os profetas são apenas sombras do que viria definitivamente à luz em Cristo, nós (principalmente por não sermos judeus, por sermos os gentios) não podemos nos basear em frações da verdade da Lei, ainda mais quando elas não apontam pra Cristo. O Velho Testamento, e toda a Bíblia, existe por causa de Cristo, e não, nunca, o contrário. É inegável que pra nós gentios o Novo Testamento é mais fácil de entender que o Antigo, e por isso mesmo não é certo complicar mais ainda aquilo que deveríamos simplificar, nos escondendo assim atrás de meias-verdades advindas de nossas visões tendenciosas com o fim de validar nossas “viagens” religiosas, doutrinárias e teológicas.

A epístola aos Colossenses fala maravilhosamente que toda a plenitude de Deus habita em Cristo. Sua Graça está totalmente disponível a nós. Então não faz sentido nos apegarmos a porções daquilo que limita a atuação da plenitude do Evangelho em nós e faz com que não sejamos nem submissos à Lei e nem beneficiários da Graça. Os judeus vivem o Antigo Testamento, mas nós somos cristãos, não podemos ficar vagando e pulando aleatoriamente entre pontos de uma aliança e outra, conforme for conveniente pra nossas próprias convicções religiosas, mas devemos nos embasar em toda a Bíblia, entendendo que Jesus é o centro.

Ora, tudo bem que Jesus não era cristão, muito menos judeu, mas nós somos cristãos, então está na hora de pararmos de viver e defender uma religião que nem é judaísmo e nem é cristianismo. Devemos de fato nos tornarmos discípulos de Cristo, vivendo o Evangelho puro e simples, amando como Ele. Tá na hora de pararmos de tratar nossa fé como uma mera religião através qual tentamos buscar Deus e entendermos de uma vez por todas que o Evangelho é Deus em busca de nós, nos alcançando com Seu amor, nos livrando da punição que merecemos e nos oferecendo o bem que não merecemos. Paremos de ficar buscando modos de estar mais perto de Deus através da religião, pois foi Ele quem se aproximou e veio até nós. Abramos nossos olhos, enxerguemos Jesus bem à nossa frente, de braços abertos pra nós, e vamos nos jogar. Quando fizermos isso, as pessoas que também precisam d’Ele como nós deixarão de olhar pra religião e ter medo dela, e também desejarão pular de cabeça na Graça de Deus, pois a religião deixará de ser a questão e o amor será o foco.

Se tudo o que temos é religião, tudo o que podemos oferecer às pessoas é religião (e elas cada vez mais não estão interessadas nisso). Se temos, vivemos, exalamos, fluímos, transbordamos Jesus, é isso o que as pessoas precisam e desejam (elas talvez não saibam disso ainda, então cabe a nós as ajudarmos a descobrirem que tudo o que elas precisam está neste momento disponível a elas, assim como a nós). Jesus era, é e sempre será muito mais do que uma religião. Ele é tudo o que a humanidade precisa. Se eu e você reconhecermos verdadeiramente isso, creio que as pessoas também reconhecerão.


A diferença entre graça e misericórdia

Por Hermes C. Fernandes

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“Cheguemo-nos, pois, com confiança ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno.”  (Hebreus 4:16)

Apesar de muitos entenderem os termos ”graça” e ”misericórdia” como sinônimos, eles possuem significados bem distintos. Ambas são encontradas no mesmo endereço: o trono da graça. Ora, se o trono é da graça, concluímos que esta tenha primazia sobre a misericórdia. Porém, para achar a graça, primeiro tem-se que obter a misericórdia. É como um protocolo. Para chegar ao rei (graça), é necessário agendar antes uma audiência com o Primeiro Ministro (misericórdia).

Este trono tem como base a retidão e a justiça (Salmos 97:2), e é sustentado pelo AMOR (Provérbios 20:28). Ora, o trono nada mais é que uma cadeira ornamentada, ocupada por um monarca. Como tal, possui quatro pés que devem ter o mesmo tamanho e a mesma distância entre si, estando perfeitamente alinhados. Estes quatro pés são responsáveis por manter a estabilidade do trono. Eles são a representação do AMOR em suas quatro dimensões: agape, filos, eros e storge. Nenhum pé pode ser maior que o outro. O fato de serem do mesmo tamanho aponta para a justiça, e o seu alinhamento representa a retidão. Ele só é um trono de graça por ser sustentado pelo amor. Sem amor, o trono que rege o Universo precisaria de um calço, ou ficaria condenado à instabilidade para sempre.

Deixe-me explanar um pouco sobre a misericórdia. A palavra em latim é ‘misericordis’, e é a junção de duas outras palavras, miseri (miséria) e cordis (coração). Ter misericórdia é acolher em nosso coração alguém desprovido de qualquer recurso meritório. É pela misericórdia que Deus nos acolhe em Sua presença, apesar de não merecermos.

Deus é santo, enquanto nós, pecadores. Santidade e pecado são como água e óleo, não se misturam. Se a justiça fosse o único atributo divino, estaríamos todos condenados a passar a eternidade alienados de Deus. Qualquer esforço nosso para reverter isso seria em vão. Porém Ele tomou a iniciativa, vindo ao nosso encontro, mergulhando de cabeça em nosso mundo, fazendo-Se pecado por nós. Zacarias, o pai de João Batista, expressa isso em sua canção, afirmando que foi “por causa da entranhável misericórdia do nosso Deus”, que o sol nascente das alturas nos visitou,“para iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte, e dirigir os nossos pés pelo caminho da paz”  (Lucas 1:78-79).

A mãe hospeda seu filho em seu ventre por nove meses e sente terríveis dores para trazê-lo ao mundo. Isto é misericórdia. No início da gestação, a criança é tida como um corpo estranho dentro de sua mãe. O corpo da mãe tenta rejeitá-lo. Mas gradualmente, o corpo dela vai se ajustando, e acolhendo o pequeno corpo em formação.

Uma vez nascido, ela o amamenta, cuida, educa e lhe enche de amor. Isto é a graça! Seu ventre é um lugar de misericórdia. Mas seus braços e seios são lugares de graça. Percebe a diferença? Ouça o que Deus diz:

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“Pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de modo que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, não me esquecerei de ti.”  (Isaías 49:15)
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Ele não pode nos esquecer! Estamos gravados nas palmas de Suas mãos! Pela misericórdia, Ele nos aceita em Sua presença. Mas pela graça, Ele nos deseja. Sua misericórdia nos salva de Sua justa ira. Sua graça nos faz objeto de Seu amor.

Lembra da parábola do filho pródigo? Quando o pai recebe seu filho de braços abertos, sem acusá-lo de nada, isto é misericórdia. Mas quando o pai prepara uma festa para celebrar seu retorno, isto é graça. Tal qual o pródigo da parábola, todos desperdiçamos o maior de todos os dons: a vida. Por isso, todos igualmente contraímos uma dívida com o Criador. É a isso que chamamos de pecado. Jamais poderíamos pagar tal dívida. Mas Deus pagou-a ao enviar-nos Seu único Filho para morrer em nosso lugar. Isto é misericórdia. Nosso débito foi quitado.

Mas Ele fez mais: em adição ao pagamento de nossa dívida, Ele depositou uma vasta quantia em nossa conta. Saímos de uma situação de débito para uma situação de crédito. Ele não apenas nos libertou do inferno, como também nos garantiu o céu.

Misericórdia é não dar-nos o que de fato merecemos. Graça é dar-nos exatamente o que não merecemos. O que merecemos da parte de Deus? Vida ou morte? Bênção ou maldição? Ora, se somos pecadores, merecemos a morte. Mas a misericórdia prevalece sobre o juízo. Em vez de ira, recebemos Seu amor. Em vez de morte, vida eterna.

A mesma graça deve ser nossa motivação para servi-Lo. Não fazemos o bem com a intenção de tornar-nos merecedores de Suas bênçãos. O bem que fazemos deve ter a intenção de demonstrar nossa gratidão por tudo o que Ele fez por nós. Isso é graça! Nós não queremos impressioná-Lo, ou pressioná-Lo a realizar nossos desejos. Não! O que almejamos é agradá-Lo em tudo, simplesmente por amá-Lo. E por que O amamos? Porque Ele nos amou primeiro.

Se antes tínhamos uma dívida de pecado, agora temos uma dívida de gratidão. Por causa de Sua misericórdia, estamos vivos. Em Lamentações 3:22-23, Jeremias diz:

“As misericórdia do Senhor são a causa de não sermos consumidos, pois as suas misericórdias não têm fim. Nova são a cada manhã; grande é a tua fidelidade.”

Nossa vida está sempre por um fio! O fio da misericórdia divina. Ela é quem dá corda no relógio de nosso coração dia após dia. Cada vez que acordamos, devemos agradecer porque nosso contrato com a vida foi renovado, tendo como fiador a misericórdia.

Mas a graça vai além disso. Se por causa da misericórdia, estamos vivos, por causa da Sua graça nossa vida tem propósito.

Agora, o escritor sagrado nos convida a dirigir-nos ao trono da graça com confiança. Não auto-confiança. Mas confiantes em Sua misericórdia e graça. E o fazemos seguros de que seremos socorridos em tempo oportuno. Se Ele foi capaz de dar-nos Seu único Filho, de que mais Ele seria incapaz de dar àqueles que n’Ele confiam?


A ameaça do SOPA

[ UTILIDADE PÚBLICA ]

Por Pedro Araújo (o webmaster dessa bagaça)

O SOPA (“Stop Online Piracy Act”, ou “Lei de Combate à Pirataria on-line”) é um projeto de lei que tramita no Congresso dos Estados Unidos que visa ampliar os meios legais para o combate à pirataria e proteção de direitos autorais na Internet. Seus defensores afirmam que o objetivo é proteger o mercado e a propriedade intelectual, mas, por outro lado, seus opositores acreditam que os desdobramentos desta lei podem levar à censura na web e ameaçar a liberdade de expressão.

Vários sites e empresas grandes têm protestado formalmente e em suas próprias páginas iniciais contra o projeto, como o Wikipédia e o Google, e além deles as redes sociais Twitter e Facebook, entre outros, todos ameaçam tomar uma decisão mais radical e tirar seus sites do ar nos EUA (vários deles e tantos outros, incluindo sites brasileiros, já se manifestaram contra o projeto de alguma forma). A favor, e totalmente interessadas no projeto, estão principalmente as indústrias fonográfica e cinematográfica.

Nesse fogo cruzado em que estão os internautas do mundo inteiro, o governo norte-americano já respondeu tirando um grande site de compartilhamentos de arquivos do ar e prendendo seu fundador, enquanto grupos hackers têm respondido com ataques aos sites do governo dos EUA e das empresas interessadas na aprovação do projeto.

E o que eu, Pedro Araújo, autor de um blog pessoal, que mora no interior de Mato Grosso, tenho a ver com isso? Não sou a favor da pirataria nem dos hackers, mas é simples: tudo o que acontece nos EUA o Brasil tende a imitar, e se pessoas, sites e instituições idôneas no mundo inteiro têm protestado contra este projeto para que ele seja melhor esclarecido, ainda mais levando em conta o risco de censura que ele traz, é melhor a gente ficar de olho, procurar se informar. O risco é real, pois eles podem simplesmente dizer que o seu site está envolvido com ilegalidades e ele poderá ser tirado do ar antes que você prove que “focinho de porco não é tomada”. Por isso, minha parte, além deste post, é dar o meu apoio aos opositores do projeto com a tarja preta no canto da página. E eu espero que meu site, que é “.com”, não seja tirado do ar por isso.

Saiba mais aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikipédia:SOPA


Por quê eu odeio religião…

Jesus é maior que a religião!

Por quê eu odeio religião, mas amo Jesus…


“Transferência de unção”: mais uma heresia que querem nos enfiar goela abaixo!

Por Pedro Araújo (eu mesmo)

Este artigo foi escrito “a toque de caixa” (porém com todo cuidado, depois de muita pesquisa e estudo sérios, sendo que eu já tinha um conhecimento prévio do tema e, agora, foram três dias de pesquisas e quase um dia inteiro só pra escrever) para refutar mais uma heresia que insiste em chegar até nós (e aqui algumas pessoas próximas a mim logo entendem o porquê da minha urgência em escrever sobre isso, motivado principalmente pelo cuidado que tenho por elas). Falo da tal da “transferência de unção”.

Se formos nos aprofundar, não faltarão argumentos e provas bíblicas contundentes contra esta “viagem” pentecostal/neopentecostal (ou pseudo-pentecostal/pseudo-neopentecostal), mas, numa análise simples, percebemos já de cara que pra acolher tal vento de doutrina é necessária muita imaginação extra-bíblica, além, é claro, do desejo inerente aos falsos profetas de usurpar a glória de Deus.

Bem, qualquer cristão que tenha se interessado em frequentar a escola bíblica, ou qualquer outra programação de estudo bíblico, de sua igreja (e o fez honestamente), sabe o que significa a unção na Bíblia – se a tua comunidade local não oferece estudos, com todo respeito, cobre seus líderes e pastores. No Antigo Testamento, a unção – “física”, com óleo – tinha basicamente, além de simbolizar a consagração a Deus, o objetivo de “diplomar”, inclusive publicamente, reis, sacerdotes e profetas pra exercerem seus devidos ofícios perante a sociedade e perante o próprio Deus, de acordo com a vontade de Deus. O tabernáculo, o templo, os objetos usados no ministério levítico [...] também eram ungidos com o mesmo objetivo de consagração. Aliás, a unção como símbolo de dedicação de algo ou alguém a Deus é anterior à Lei: um exemplo clássico é Jacó, que ungiu a coluna, o altar que levantou a Deus quando teve um encontro com Ele em Betel (veja Gênesis 28:18 e 31:13). Em uma última análise, vemos que a unção, digamos que, em seu simbolismo, representa um elo direto e particular entre o “ungido” e Deus, é como se dissesse que o “ungido” é propriedade exclusiva de Deus e/ou está inteiramente a Seu serviço, que, como o óleo derramado, a mão de Deus está sobre sua cabeça. Em outros casos ungir significava algo simples como se perfumar ou passar remédio em alguma ferida. Os judeus, a propósito, sempre entenderam que Deus é espírito e é um ser pessoal, por isso também vemos, principalmente nos Salmos, o termo unção – ou óleo, ou azeite – ser usado para expressar a presença de Deus e a alegria de poder senti-la.

No Novo Testamento Jesus não ignora o significado e simbolismo da unção. Em Marcos 6:13, quando Jesus envia os discípulos, cumprindo Suas instruções, vemos que eles oravam e ungiam com óleo os doentes e eles eram curados – Tiago 5:14 também fala sobre isso. Mas cada vez mais a “unção” é reforçada puramente em sua conotação espiritual ao longo dos quatro evangelhos e das cartas apostólicas. Em Lucas 4:18, citando Isaías, Jesus declara que Ele foi ungido pelo Espírito de Deus para pregar, libertar e curar (sendo que fica evidente que o “foco” da unção pra é anunciar o Evangelho, isso é mais importante do que a realização de qualquer sinal ou milagre, os quais, por sua vez, são apenas instrumentos do Evangelho). Paulo sempre deixa claro que, em Jesus, também recebemos a unção de anunciar o Evangelho. Além disso, a unção representa agora o Espírito Santo habitando em nós, o óleo no Novo Testamento é um símbolo do Espírito. Muito interessante também o contexto em que a unção aparece em Apocalipse 3:18, onde Jesus adverte a igreja que pensa ser “rica”, “santa” e “cheia de poder” para que unja seus olhos a fim de os limpar e serem curados de sua cegueira espiritual. Enfim, qualquer explanação aqui (seja do Antigo ou do Novo Testamento), levando em consideração a falta de tempo e espaço para falarmos sobre isso, deixaria a desejar. Mas uma coisa é certa: a unção bíblica não tem nada a ver com as “viagens” que são pregadas e praticadas por muitos hoje em dia.

Sempre ouvi falar de “unção”, pros meus ouvidos já se tornou até jargão, mas as pessoas que dela tanto falam, em sua maioria, sequer fazem ideia do que realmente significa. Unção tem a ver com compromisso com Deus [e com Sua palavra], e não com este misticismo “new age” que tem envolvido e se infiltrado nas igrejas e ministérios por aí. Unção tem a ver com pureza, e não com essa doutrina contaminada que querem nos enfiar goela abaixo. Seus pregadores podem não idolatrar imagens de escultura, mas idolatram a “unção”, o “mover”, idolatram o despropositado pseudo-sobrenatural, idolatram os “ungidos”. São tão ignorantes, ou inescrupulosos mesmo, que não entendem que símbolos não são deuses e que simbologias não são doutrinas, então fazem dos símbolos seus deuses e ídolos, e da simbologia sua doutrina e regra de “fé” (fé!?) e prática. Eles falam do poder de Deus atuando em suas vidas, e acho que nem preciso colocar aqui a lista de argumentos bíblicos sobre o que é realmente o poder de Deus atuando em nós, mas, pra não passar em branco, gosto quando Paulo fala em Romanos 1:16 que o Evangelho é o poder de Deus pra salvação, e se olharmos pros ensinamentos e práticas desses “ungidos” vemos o quanto falta do verdadeiro Evangelho puro e simples neles, por isso o “poder” deles não pode ser o mesmo poder do Evangelho.

Também não sou cessacionalista. Creio nos dons do Espírito Santo, que eles sempre se manifestaram e continuam se manifestando na Igreja, mas não posso admitir que as tais manifestações inúteis que os “transferidores” tanto pregam e praticam, que – como considera o Teólogo e Bispo Hermes Carvalho Fernandes – suas bizarrices, sejam obra do Espírito Santo – já caí nessa onda; não caio mais. Muitas coisas que eles chamam de “avivamento” não passam de exibicionismo, de quem não aprendeu ainda que o Espírito Santo sempre apontará para Jesus e Sua palavra (João 16:13,14) e não para o ego dos falsos profetas, enquanto pessoas sinceras que caem na armadilha dessa muvuca são expostas ao ridículo. Falar de seus atos proféticos (ou patéticos), “profetadas”, “revelamentos”, 666 passos pra isso ou aquilo, lavagens cerebrais, histerias coletivas, visões paraguaias de anjos com grandes espadas, gravetos brilhantes, rodopios, quedas em massa na “unção do paletó com desodorante vencido”, pscicologia de esquina, teologia de boteco, entre outras, seria “chover no molhado”. Mas essa “transferência de unção” é mais um dos tantos fins da picada aos quais essa turma chega todos os dias.

Pode parecer algo inocente, que até “faz sentido”, e que eu estou sendo muito radical, intolerante, crítico. Mas vai pesquisar sobre de onde vem esse novo “mover” (que cresce no Brasil desde meados da última década) que você vai entrar numa fria, mais precisamente nas redondezas de um lago próximo ao Pólo Norte, na fronteira entre o Canadá e os EUA (quem lê, entenda, ou estude) – lá de onde também vem a ideia que a teologia, por exemplo, foi a responsável pelo esfriamento e morte espiritual das igrejas (truco!), de onde começaram a ser exportados os modelos de “super-crentes” com suas bases bíblicas superficiais e descontextualizadas e suas práticas “exotéricas”, as quais só vi mais estranhas em sessões espíritas. Eles deram mais um passo, ao ponto de negar a soberania de Deus na distribuição dos dons do Espírito Santo (Efésios 4:7-14) e ensinado que estes dons precisam ser “ativados”, transferidos aos outros e periodicamente renovados por homens. Como esclarece o Teólogo e Pastor Leonardo Gonçalves Silva “a unção bíblica, aquela que é outorgada pelo Espírito Santo quando nos convertemos (I João 2:20) e que permanece em nós (I João 2:27), já não é suficiente para eles; com isso, os mesmos inventam um ‘parcelamento’ e uma ‘hierarquia’ de unções que não existem na Bíblia”. Na prática, esse negócio nada mais é do que marketing pessoal de quem tira o foco de Jesus e volta os holofotes para si, como se fossem alguma coisa.

Para embasar suas heresias, os “transferidores” tem a cara-de-pau de usar – de forma indecente, é claro – várias passagens bíblicas, sendo que de cada uma delas ainda saem os nomes de cada tipo de “transferência de unção”. Logo de cara, o que descobri conversando com um amigo sobre o tema, eles usam o exemplo de Elias e Eliseu e até de Felipe e o eunuco, mas a lista é extensa, onde também figuram exemplos de Davi e Saul (isso mesmo), Moisés e Josué, Paulo e Timóteo e até Elias e João Batista (pronto, morri), além de “transferências em cascata” e “de um pra muitos”. Não vou nem citar os versículos que eles usam, nem refutá-los cada um de forma específica, pois suas teorias são tão ridículas que nem compensa eu gastar o meu grego (hehehe!) com isso, mais do que já estou gastando. Na minha opinião, o que eles fazem não é só heresia, mas é subestimar a inteligência das pessoas, é ofender aqueles que ao longo da história dedicaram suas vidas em viver e propagar o Evangelho e, pior de tudo, chamar o Espírito de Deus de ‘palhaço’!

Sim, eu poderia rebater item por item desse pseudo-avivacionismo, mas o ponto que barra essa “onda” – ponto simples no qual sempre me baseio – é de onde vem a criatividade deste povo para extrapolar os limites daquilo que a Bíblia não nos manda fazer? Por que acrescentar coisas àquilo que Jesus não disse? Quantas vezes vocês ouviram, nem que seja Paulo, Pedro, João ou Tiago, ensinarem sobre essa tal de “transferência de unção”, ou algo parecido? Nem tentem! Os desequilibrados também gostam de usar o costume de impor as mãos – algo que realmente vemos Jesus, os apóstolos e os primeiros cristãos fazerem no Novo Testamento ao orar por alguém pelos mais diversos motivos ou até mesmo consagrar algum líder – para embasarem suas ideias de “transferência de unção”, mas daí, transformar um rudimento do Evangelho (Hebreus 1:1-3) em uma nova e distorcida “revelação”, é muita cretinice teológica. É simples: se a unção, o poder, a bênção, a cura, a libertação e os dons vêm de Deus, como é que alguém pode transferir a outrem aquilo que não lhe pertence?

É melhor eu ir parando por aqui, antes que eu tenha um infarte. Mas, se tem algum fato na Bíblia que lembra esses “transferidores de unção” que têm se multiplicado como praga em nosso meio, é o relatado em Atos 8:9-24…

Ora, estava ali certo homem chamado Simão, que vinha exercendo naquela cidade a arte mágica, fazendo pasmar o povo da Samaria, e dizendo ser ele uma grande personagem; ao qual todos atendiam, desde o menor até o maior, dizendo: Este é o Poder de Deus que se chama Grande. Eles o atendiam porque já desde muito tempo os vinha fazendo pasmar com suas artes mágicas. Mas, quando creram em Filipe, que lhes pregava acerca do reino de Deus e do nome de Jesus, batizavam-se homens e mulheres. E creu até o próprio Simão e, sendo batizado, ficou de contínuo com Filipe; e admirava-se, vendo os sinais e os grandes milagres que se faziam. Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, tendo ouvido que os da Samaria haviam recebido a palavra de Deus, enviaram-lhes Pedro e João; os quais, tendo descido, oraram por eles, para que recebessem o Espírito Santo. Porque sobre nenhum deles havia ele descido ainda; mas somente tinham sido batizados em nome do Senhor Jesus. Então lhes impuseram as mãos, e eles receberam o Espírito Santo. Quando Simão viu que pela imposição das mãos dos apóstolos se dava o Espírito Santo, ofereceu-lhes dinheiro, dizendo: Dai-me também a mim esse poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos, receba o Espírito Santo. Mas disse-lhe Pedro: Vá tua prata contigo à perdição, pois cuidaste adquirir com dinheiro o dom de Deus. Tu não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus. Arrepende-te, pois, dessa tua maldade, e roga ao Senhor para que porventura te seja perdoado o pensamento do teu coração; pois vejo que estás em fel de amargura, e em laços de iniquidade. Respondendo, porém, Simão, disse: Rogai vós por mim ao Senhor, para que nada do que haveis dito venha sobre mim.

Nem preciso dizer mais nada, a não ser alertar mais uma vez que fujam deste tipo de ensinamento maligno. E antes que alguém tenha a audácia de me dizer que pelo menos os “transferidores” estão fazendo algo pra Jesus (Jesus!?), fique bem claro o que eu estou fazendo: zelando pelo Evangelho puro e simples, não arrastando multidões, mas testemunhando a Palavra da Verdade. Deus abençoe os que buscam verdadeiramente a Cristo! E, aos falsos profetas e vendilhões da fé, fica o mesmo aviso do meu amigo virtual Danilo Fernandes: eis que aporrinhar-vos-ei (e, com toda a modéstia que me falta, antes de mandarem seus inquisitores atrás de mim, preparem-se pra tomar uma surra de Bíblia – e olha que a minha é grande, tem material complementar de estudo no final e a capa é marrom).


Onze razões porque creio que Cristo está reinando

Por Hermes C. Fernandes

1. Porque essa era a posição da Igreja primitiva, que por acreditar que Cristo estava reinando sofreu as mais duras perseguições do Império Romano. Declarar que Jesus é o Senhor era considerado uma postura subversiva, pois o título de Kírios (Senhor) era atribuído exclusivamente a César, o Imperador. Se a Igreja primitiva não cresse no reino de Cristo como real e atual em seus dias, ela não seria tão perseguida. Por isso, a Escritura diz que ninguém diria que Jesus é o Senhor senão pelo Espírito Santo. Ninguém em seu juízo perfeito se atreveria a desafiar Roma, declarando a soberania de Cristo sobre a história, senão pela ousadia conferida pelo Espírito de Deus. Enquanto a mensagem da salvação pela Graça era um insulto ao sistema religioso judaico, a mensagem do Reino era considerada um insulto ao domínio romano. Ver: João 19:12-15; Atos 17:5-8 e 1 Coríntios 12:3.

2. Porque é a única posição escatológica que oferece esperança quanto ao futuro deste mundo, convocando os homens a pensarem e trabalharem pelas próximas gerações. Ver: Atos 2:39; 2 Coríntios 12:14; Salmos 72:5, 79:13, 145:4 e Efésios 2:7, 3:21.

3. Porque impõe ao homem a responsabilidade de cuidar da Terra, buscando preservar o meio-ambiente em que vive. Ver: Gênesis 2:15, 8:21, 9:9-10,12-13,17; Salmos 24:1; Eclesiastes 1:4; Isaías 45:18; Romanos 8:19-22; 1 Coríntios 10:26 e Apocalipse 11:18.

4. Porque a mensagem do Reino de Deus era a ênfase principal de Jesus e dos Apóstolos. Ver: Marcos 1:15 (observando as parábolas, pode-se perceber que a maioria delas visava ilustrar o modus operandi do Reino de Deus) e Atos 20:24-25 (não há como separar o Evangelho da Graça e o Evangelho do Reino, pois ambos formam um único corpo doutrinário), 28:23, 30-31.

5. Porque a proposta do Evangelho não é a fuga da realidade, ou qualquer tipo de escapismo ou alienação; mas é que o homem busque na Palavra de Deus, a solução para os seus problemas atuais, encarando-os, solucionando-os na força do Espírito Santo. Ver: João 17:15. E um exemplo da atuação da Igreja na solução de problemas cotidianos está em Atos 6:1-3; Gálatas 2:10 e 2 Coríntios 8.

6. Porque o Evangelho contém promessas tanto para o porvir quanto para este tempo. Ver: 1 Coríntios 3:22 e 1 Timóteo 4:8.

7. Porque cabe a Igreja discipular as nações, trazendo-as aos pés do seu Rei, e ensinando-as a aplicar os princípios do Reino para cada área da vida humana (educação, tecnologia, artes, cultura, família, relacionamentos humanos e etc). Ver: Mateus 28:18-20 e 2 Coríntios 10:4-5.

8. Porque o Evangelho é o poder de Deus, não apenas pra salvar o indivíduo, mas também para restaurar toda uma sociedade. Ver: Romanos1:16 e Isaías 61:4.

9. Porque Cristo veio pela primeira vez para ser rejeitado, mas virá a segunda vez quando for o Desejado das Nações, e cabe à Igreja, como instrumento do Espírito, e sal da terra, provocar nos homens a sede e o desejo pelo retorno de Cristo. Quando a humanidade em uníssono disser: Maranata! Então virá o Senhor. Ver: Ageu 2:7; Mates 5:13 e Isaías 49:24-26.

10. Porque acreditamos na vitória da Igreja, no avanço do Evangelho, e na expansão do Reino de Deus. Ver: Mateus 16:18; Apocalipse 6:2, 17:14, 19:11-16 (os cavaleiros que seguem o Cavaleiro Fiel são os santos); Mateus 13:31-33; Daniel 2:35,44-45; Romanos 16:25-26 e Colossenses 1:6.

11. Porque o destino da Igreja é reinar sobre a Terra, ao mesmo tempo em que desfrutará do Céu. Isso porque em Cristo convergiu tudo o que há no céu e na terra, já não havendo a separação provocada pelo pecado. Os mundos visível e invisível se tornaram as duas faces de uma mesma realidade recriada em Cristo. Ver: Mateus 6:10; Efésios 1:9-10; Colossenses 1:16-20 e Apocalipse 21:1-2.

“Aleluia! Pois já reina o Senhor nosso Deus, o Todo-poderoso.” (Apocalipse 19:6b)

* Se não for pedir muito, antes de discordarem, por favor, leiam as passagens expostas.

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Jesus e a BMW

Por Ciro Sanches Zibordi

* O Blog do Ciro é um dos que eu sigo, e corroboro com suas opiniões.

Muitos estão indignados com um vídeo publicado no YouTube em que uma cantora gospel (filha do líder de uma grande igreja de Belo Horizonte, MG) e seu marido fazem afirmações fúteis a respeito do Senhor Jesus e seu ministério terreno. O rapaz chega a afirmar que o jumento montado por Jesus era uma espécie de BMW da época, e que Ele só teria nascido numa estrebaria porque não havia vagas nos hotéis!

Há uns vinte anos, mais ou menos, os pastores que priorizavam as riquezas eram duramente criticados. Hoje, líderes de grandes ministérios e seus célebres familiares — o nepotismo eclesiástico também se banalizou, nesses tempos pós-modernos — dizem, sem nenhum constrangimento, que Jesus era rico e desfrutou do bom e do melhor neste mundo. E ai dos que discordarem! Serão tachados de miseráveis, frustrados, invejosos… Isso para dizer o mínimo, pois os fãs de celebridades (que não são, evidentemente, seguidores de Jesus) costumam chamar os críticos dos seus ídolos de filhos da p… (piii) ou mandá-los pra p… (piii) que p… (piii), etc.

Nota-se que o jovem casal mencionado tem aprendido com quem bebeu nas fontes escuras e turvas da teologia da prosperidade. Sua “visão de Reino” é a mesma de famosos tele-pregadores do mercantilismo da fé, como Kenneth Copeland, Frederick Price, Benny Hinn, Morris Cerullo, Mike Murdock e John Avanzini. Todos estes asseveram que Jesus usava roupas da moda (de corte especial, sem costura), tinha uma ótima casa, grande o bastante para receber os seus discípulos. Price, inclusive, afirma que dirige um Rolls Royce porque está seguindo os passos do Mestre. Para esses tele-milionários, o Senhor tinha um tesoureiro porque seu ministério arrecadava muito dinheiro!

Um único versículo bíblico colocaria por terra todas as aludidas invencionices a respeito de Jesus: Mateus 8.20. Aqui, o Senhor afirma: “As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”. Alguém poderá argumentar: “Na Bíblia não há promessa de prosperidade ao povo de Deus?” — Sim. Mas a prosperidade bíblica não é reducionista; sua ênfase não recai no materialismo.

A palavra “prosperidade”, do latim prosperus, significa “feliz, ditoso, florescente”. E, nesse sentido, a Palavra de Deus afirma: “O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro do Líbano. Os que estão plantados na Casa do SENHOR florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e florescentes” (Salmos 92:12-14). Segundo a Bíblia, florescer como uma árvore significa prosperar em todos os sentidos (Salmos 1:1-3) e dar muito fruto (João 15:1-5).

Ora, uma árvore não cresce apenas para cima ou para os lados; cresce também para baixo; tem raízes. Essa é a prosperidade que o Senhor quer dar aos seus filhos: um crescimento em todas as direções. É um grande engano encarar a prosperidade material como um fim em si mesmo (Mateus 6:33).

Por que a teologia da prosperidade faz tanto sucesso, atrai multidões e encontra pronta aceitação no coração das pessoas? Porque os seus propagadores, à semelhança dos falsos profetas de Israel, descobriram a mensagem que o povo quer ouvir! Em Ezequiel 13:10-19, está escrito: “Andam enganando o meu povo, dizendo: Paz, não havendo paz, [...] os profetas de Israel que profetizam de Jerusalém e veem para ela visão de paz, não havendo paz. [...] Vós me profanastes entre o meu povo, [...] mentindo, assim, ao meu povo que escuta a mentira”.

Os tele-pregadores da prosperidade mandam os crentes repreenderem o demônio da miséria e determinarem a sua prosperidade. Mas, em Romanos 15:26, está escrito: “Porque pareceu bem à Macedônia e à Acaia fazerem uma coleta para os pobres dentre os santos que estão em Jerusalém”. Observe que o texto menciona uma coleta para ajudar pobres dentre os santos. Não seria mais fácil para Paulo repreender o demônio da pobreza?

Jesus nunca falou dos perigos de ser pobre. Mas, por inúmeras vezes, discorreu sobre os perigos de ser rico (Mateus 6:19-21; Lucas 12:16-21; etc.). Em I Timóteo 6:8-10, encontramos as razões pelas quais alguém abandona o verdadeiro Evangelho para seguir a teologia da prosperidade: falta de contentamento, priorização das riquezas, amor ao dinheiro. Em Eclesiastes 5:10, também está escrito: “O que amar o dinheiro nunca se fartará de dinheiro; e quem amar a abundância nunca se fartará da renda; também isto é vaidade”.

É pecado ser rico? Não. Mas é perigoso. Isso porque a sensação — apenas a sensação — de que a riqueza coloca alguém numa posição superior em relação às pessoas pobres torna o crente um alvo fácil do inimigo (I Timóteo 2:9). Há uma grande probabilidade de os ricos se ensoberbecerem e se tornarem avarentos, desprezando os pobres e perdendo, com isso, a comunhão com Deus (Tiago 2:9).

Quem não se contenta com o que possui, priorizando a busca de riquezas e o amor ao dinheiro, é capaz de fazer qualquer coisa para ganhar mais e mais dinheiro, até mesmo mercadejar a Palavra de Deus (II Coríntios 2:17, ARA). A avareza é uma espécie de idolatria (Efésios 5:5), e nenhum idólatra entrará no Reino de Deus (I Coríntios 5:11; Apocalipse 21:8). “O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (I Timóteo 6:10).

O dinheiro, em si, é necessário para a nossa manutenção. Contudo, existe o perigo de o chamado “vil metal” ocupar o primeiro lugar em nosso viver. E isso tem acontecido na vida de alguns líderes e pregadores, que, pelo dinheiro, são capazes até de negar “o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição” (II Pedro 2:1).

De acordo com a Palavra de Deus, os falsos mestres, cuja motivação é o dinheiro, são capazes de fazer, por avareza, “negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita” (II Pedro 2:3). E não é isso que vemos em nossos dias? Os falsos mestres estão por aí vendendo as suas “indulgências”, pregando um evangelho falso, centrado no “ter”.

Que Deus nos guarde! Façamos a sábia oração de Agur: “Não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção acostumada; para que, porventura, de farto te não negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecendo, venha a furtar e lance mão do nome de Deus” (Provérbios 30:7-9).

Não ambicionemos, pois, as coisas altas (Romanos 12:16). Não tenhamos como referenciais as celebridades gospel, pois elas, em sua maioria, não têm compromisso com a Palavra de Deus. Sigamos o conselho da Palavra do Senhor: “Sejam os vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque Ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei” (Hebreus 13:5). E ainda: “Aquele que tem o olho mau corre atrás das riquezas, mas não sabe que há de vir sobre ele a pobreza” (Provérbios 28:22).

Quantos podem dizer “amém”?


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